Chegamos em Manaus numa quinta-feira às 5 da manhã, tivemos que permanecer no barco até clarear, pois o porto fica no centro e como em qualquer lugar é sempre melhor ficar atento no centro.
Ligamos para a nossa amiga Vanessa, para saber qual era o melhor caminho que poderíamos fazer para chegar em sua casa, então ela nos indicou um caminho, mas tivemos que nos informar melhor, pois ficamos sabendo que não era perto o bairro a onde ela morava.
Combinamos com ela que passaríamos numa padaria para tomar café da manhã e depois seguiríamos para a sua casa.
A primeira impressão não foi a das melhores da cidade, logo cedo o trânsito já se encontrava caótico, nenhuma educação com os ciclistas (mas isso é normal), muita sujeira, esgoto a céu aberto.
Imaginava uma cidade muito arborizada, afinal de contas estamos na Amazônia, mas infelizmente o progresso tomou conta dessa capital e aparentemente os Manauaras renegam suas origens, como serem descendentes de índios e de morarem numa das regiões mais privilegiadas do mundo.
Depois de mais ou menos 1 hora de pedalada em meio ao agressivo transito de Manaus, aparentemente já tínhamos chegado na Venezuela, de tanto que pedalamos para chegar, o bairro era bem longe do centro.
Chegamos na casa da Vanessa, ela já estava nos esperando e a galera que morava na casa, já estava acordando para irem trabalhar.
Uma ressalva para este pessoal, uma galera de Sampa, todos formados em medicina, vieram para Manaus para trabalhar na marinha e atender principalmente as populações ribeirinhas.
Na casa moram 5 pessoas, Vanessa com seu namorado Cássio, Daniel e sua namorada Carol e o Mauricio, uma galera muito legal que nos hospedou com o maior carinho.
A casa era maravilhosa, muito grande, com churrasqueira, piscina e nos ficamos num quarto ao lado dessa área de lazer.
Saímos para procurar escolas no mesmo dia, não tínhamos tempo á perder, fizemos uma pesquisa e voltamos para o centro, já que lá era o local a onde se encontrava muitas escolas de ordem religiosa e a primeira escola que visitamos foi a Dom Bosco da rede Salesiano. Conversamos com as 3 coordenadoras que respondiam pela faixa etária que trabalhamos e todas adoraram o projeto e uma delas acabou marcando para o dia seguinte uma apresentação.
Ficamos muito empolgados e achamos que iríamos trabalhar bastante em Manaus.
Mero engano nosso, conseguimos fazer contato com outras escolas da rede Salesiano, acabamos marcando com o colégio Santa Terezinha e com o Santa Dorotéia, que não era da rede Salesiano, mas era um colégio católico.
As semanas foram passando e não conseguimos fechar com mais escolas, na penúltima semana conseguimos fechar com a escola CEL, que adorou o teatro. Infelizmente o rio não estava para peixe.
Sabemos que temos um produto muito bom, porém o período que estamos em Manaus não favoreceu muito.
Encontramos dificuldades em nos locomover, pois as escolas eram espaçadas e a bicicleta não ajuda muito em nos locomover rápido em meio a tanto trânsito. Quando conseguíamos falar com alguém de alguma escola, exista a tal burocracia da tal hierarquia, pois quando as informações chegam aos ouvidos dos superiores responsáveis por dar o ok, acabamos sendo mais um teatrinho de fantoches.
O período do começo de novembro acaba sendo o período de revisão de matéria para o período de provas que está para chegar.
Bom... Resumindo, Manaus em relação a trabalho não foi nada bom, o período difícil começou lá no Ceará, de lá para o norte, as coisas começaram a ficar bem mais difícil.
Não foi por falta de procura, mas nem os jornais e nem a TV se interessou em fazer alguma reportagem conosco, não que sair na TV ou no jornal seja uma coisa tão importante, mas nos ajuda para divulgarmos o nosso trabalho e isso nos traz credibilidade.
A impressão que tivemos é que não se importam tanto com a cultura até na secretaria de cultura, a onde fomos oferecer nosso trabalho, fomos muito mal atendido por uma recepcionista extremamente mal educada.
Sei que às vezes critico demais as cidades, mas é que fico extremamente indignada com tais atitudes, não entendo como as pessoas não possuem o mínimo: Educação.
Fico triste ao ver o descaso do poder público com a população, aqui em Manaus apenas 3% do esgoto é tratado, que dizer nada. O resto do esgoto vai para o rio, o mesmo rio que as pessoas bebem água e se banham. O mesmo rio que traz o peixe para a casa de cada um deles.
A Amazônia está sendo degradada a cada dia que passa, seja por grandes empresas rumo ao tão falado progresso, ou pela própria população que precisa sobreviver de alguma forma.
A nossa presidenta Dilma esteve aqui em Manaus, inaugurado a tão famosa ponte sobre o rio negro, que trará novas oportunidades, mais empregos, melhoria na vida da população. Mentira. Essa ponte demorou anos para ser concluída, a roubalheira foi tanta, que um lado da ponte não encontrou com o outro, pode um negócio desses?
E agora ela vem com o papo que: "ao mesmo tempo em que preservamos a floresta, que combatemos o desmatamento, geremos oportunidades, mais empregos..." Todos sabem que ela passa por cima de qualquer árvore que for para poder gerar dinheiro e que em seu vocabulário não existe a palavra sustentabilidade e sabemos também que ser sustentável não condiz com nosso modelo econômico atual, o atual progresso bate de frente com um modelo de vida alto sustentável. A pergunta é: "Como ficará a nossa futura geração?"
Estamos na reta final de nossa viajem pelo Brasil, com muitas alegrias, algumas tristezas, mas o que podemos dizer é que tudo que fizemos até agora valeu por uma vida inteira, nunca imaginei chegar até aqui, nunca imaginei conseguir realizar um projeto e chegar a atingir em torno de 30.000 mil crianças.
Agradeço a Deus e a todos aqueles que acreditaram em nosso modo de vida.
Fomos agraciados por Deus, por termos tido a oportunidade de conhecer tantos lugares bonitos, tantos animais fabulosos e de termos conhecidos pessoas maravilhosas em nosso caminho. Somos muito gratos por tudo isso.
Nesse meio tempo em que tivemos em Manaus conhecemos muita gente de fora que mora aqui e estão a fim de fazer coisas boas pelo nosso país, muitos pesquisadores que desenvolvem projetos a fim de melhorar a qualidade de vida das pessoas.
Tivemos a oportunidade de conhecer Presidente Figueiredo, uma cidade a 130 km de Manaus a onde detém várias cachoeiras, uma mais linda do que a outra em meio à selva.
A nossa última apresentação foi realizada no colégio Dom Bosco para as crianças do Ensino fundamental, realizamos para umas 200 pessoas, foi um sucesso e fechamos a nossa turnê pelo Brasil com chave de ouro.
Somos muito gratos ao pessoal que nos hospedou aqui em Manaus, nossos agradecimentos a Vanessa, ao Cássio, ao Mauricio, ao Daniel e a Carol, só podemos dizer: MUITO OBRIGADO A TODOS.
O projeto completou 2 anos pelo Brasil, temos a perspectiva de fazer o caribe e depois é possível que o projeto tenha que dar um tempo, pois estamos com alguns probleminhas financeiros e como vamos ficar um bom período sem trabalho é possível que tenhamos de voltar para o Brasil, abastecer o caixa e voltarmos numa outra época.
Queremos dizer que tudo que passamos só nos serviu de lição, somos muito privilegiados e conseguimos até agora conquistar o nosso objetivo.
Esta semana, mais precisamente dia 29, seguiremos para Boa Vista - RR, de lá vamos até Puerto La Cruz já na Venezuela, de Puerto La Cruz pegaremos um ferry Boat para a Ilha Margarita.
Ficaremos na Venezuela até o dia 14 de Novembro e nesse mesmo dia embarcaremos para o Panamá a onde faremos uma conexão até Cuba há onde permaneceremos 3 dias e de lá seguimos ruma a Cancun no dia 18 de novembro.
Um sonho sendo realizado, estamos ansiosos por esta viajem, estamos muito felizes por estarmos alcançando nossos objetivos.
Que venha El Caribe
Até a Venezuela,
Beijo a todos.









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